Em Coca-colonização, o alinhamento das garrafas produz um campo visual rigoroso. O olhar percorre fileiras que apresentam uma escolha binária. A inscrição de palavras que remetem ao debate sugere um jogo conhecido, mas a serialização dos elementos revela outra lógica: nada aqui admite dissenso, tudo se organiza para adesão imediata.
O diálogo com Os Operários, de Tarsila, surge pela geometria da repetição. Onde havia rostos e singularidade, aqui há recipientes idênticos, preparados para receber e esvaziar. A produção fabril cede lugar à circulação de comportamento. A escolha, reduzida ao gesto mínimo e repetido, espelha um modelo que converte pensamento em resposta autômata.
Ao fundo, um edifício atravessado por torres e estruturas de transmissão. Elas não produzem mercadorias, produzem códigos, promovendo a alienação e fragmentação da experiência. A obra coloca, num mesmo plano, a superfície do espetáculo e o ponto onde ele se fabrica. Nesse contexto, não há ruptura, apenas a deterioração lenta de uma estrutura que se mantém aparentemente estável enquanto cede por dentro.






































